Os principais motivos que levaram o Flamengo do Piauí a um novo rebaixamento

Rebaixado na última terça-feira (15) após sofrer uma goleada de 4×0 para o Parnahyba diante de apenas 12 pagantes, o Flamengo do Piauí não passa por uma situação nova em sua história. Esse é o terceiro rebaixamento do Leão, que já havia sido despromovido em 2005 e 2007. Se das outras vezes o rubro-negro já conseguiu ser competitivo no estadual logo após o rebaixamento, dessa vez o cenário é mais sombrio: com a falta de estrutura evidenciada pelos péssimos resultados em campo, torna-se difícil pensar em uma rápida recuperação dessa camisa tão tradicional.
A campanha do Esporte Clube Flamengo, 17 vezes campeão piauiense e segundo maior vencedor de seu estadual, começou bem: um empate sem gols contra a forte equipe do 4 de Julho indicava que o clube poderia ser a surpresa da competição, assim como ano passado – sem muitos recursos mas com um elenco experiente, o Mais Querido do Piauí finalizou a edição de 2021 do estadual em quarto lugar. Aquele empate, obtido no distante 15 de janeiro, foi o único ponto conquistado pelo Flamengo em toda a campanha do Piauiense 2022. Desde então, o time sofreu 10 derrotas consecutivas, com destaque para as goleadas sofridas para o River (5×1) e para o Fluminense (4×0 e 4×0).
A derrocada do Flamengo não começou esse ano. Os mais aficcionados diriam que os problemas surgiram desde a venda da sede do clube, em circunstâncias até hoje não explicadas de forma integral. Fato é que desde 2015 o rubro-negro não briga pelo título estadual. Se em 2016 e 2017 o Flamengo conseguiu disputar ao menos uma semifinal de turno, de 2018 para cá as campanhas foram frustrantes. Sempre eliminado na primeira fase, flertando com o rebaixamento até a última rodada da competição de 2020 e também em parte da edição de 2021 – se não fosse pelas quatro vitórias obtidas entre a 8ª e a 12ª rodada, certamente a equipe teria brigado contra a queda no ano passado.
As circunstâncias explicitadas pelo zagueiro Pedro Ivo após a derrota para o Parnahyba evidenciaram o atual estado do Flamengo do Piauí. Sem refeições adequadas nem uniformes para todo o elenco e sofrendo com salários atrasados, o jovem plantel estava em greve antes da partida e só decidiu entrar em campo minutos antes da partida. O presidente do clube, Rubens Gomes, declarou em entrevista à imprensa local que a ideia das reclamações era “tirar o foco do que é realmente o problema do Flamengo”, fazendo referência a um suposto esquema de manipulação de resultados, atualmente em investigação pela Decoterc-PI.
Embora a média de idade das escalações do clube sejam impulsionadas pela presença de atletas experientes, como o zagueiro Tonhão e o goleiro Felipe Gama, grande parte do elenco é formada por atletas de no máximo 25 anos, muitos tendo a experiência do rebaixamento pela primeira vez na carreira. A estratégia de montagem do time, o único entre os oito clubes do Piauiense a apostar na juventude, foi coerente com a realidade financeira do Flamengo, mas não deu liga e também influenciou no rumo tomado pela equipe no ano de 2022.
Considerado um dos campeonatos estaduais mais equilibrados do Nordeste, o Campeonato Piauiense não concede aos clubes rebaixados uma possibilidade de retornar rapidamente à elite, o que ocorre em outras unidades da federação. A Série B é bastante equilibrada e outras camisas pesadas, como as do Piauí Esporte Clube e do Caiçara, costumam passar dificuldades em um campeonato bem nivelado. Para a situação do Flamengo do Piauí, um clube desesperado por algo que torne mais fácil sair do buraco em que se encontra, não é o melhor dos mundos.
